quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Eu... não desisto de você.


But I know my luck too well
Yes, I know my luck too well
And I'll probably never see you again
I'll probably never see you again
I'll probably never see you again
I'll probably never see you again...
- The Smiths - Hand in glove

Queria resumir meus dias no trabalho que desempenho para pagar as contas, nos jantares que freqüento e nas idas ao cinema para ver filmes rasos dos quais não vou me lembrar nunca mais... Mas não é assim. Minha vida real, a de trabalhos, jantares e sessões de cinema, se passa à sombra de uma versão paralela que acontece enquanto penso em você.

A realidade, a coisa crua do dia a dia, o metrô lotado, a chuva e o toque dos telefones. Os odores do almoço, os outros telefonemas da tarde, as contas e as risadas do happy hour, tudo enfim, é um eco distante, sequer táctil, do estado flutuante em que me encontro. A vida vai acontecendo e pra mim o tempo não passou. Se passou não vi, se vi, não dei atenção a ela enquanto dizia meu nome e me chamava pra brincar no quintal dos acontecimentos.

É do secreto em mim que faleci para as coisas da vida no dia em que você se foi. Vivo senão pela conveniência de respirar, pela obrigação de pagar as contas e honrar a memória e a idéia que fazem de mim de que eu sou eu mesmo, e não um pedaço de você. Se sorrio é por que desinteressa-me que saibam que não desejo sorrir, o mesmo para quando saio, ou me alegro na companhia dos que vivem. Porém, no fundo, habito em um eterno silêncio e solidão. Acerca de mim, de quem eu sou de verdade, estão apenas à saudade e o peso da tristeza acumulada, descansada dos meus ombros que já não sabem o que fazer, vencidos pela fraqueza de não poder carregar mais nada dessa sua presença assombrada.

Se criei para mim esse compartimento estanque, esta estante com módulos sentimentais onde guardo minhas memória de você, que passo freqüentemente em revisão e análise, foi por saber, desde o princípio, melhor do que jamais soube qualquer outra coisa, que não haveria em mim força para desistir de você. Você estando aqui ou não... você está em mim.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

As canções que você fez pra mim



And a stranger came running up to me, from the deck of the ship and he said, said he;
‘O are you the boy Who would wait on the quay With the silver penny and the apricot tree?
I’ve a plum-coloured fez, and a drum for thee, and a sword and a parakeet from over the sea’
‘O where is the sailor With bold red hair? And what is that volley on the bright air?’
‘O where are the other girls and boys? And why have you brought me children’s toys?
Why have you brought me children’s toys?’
Natalie Merchant - The nursery rhyme of innocence and experience.


Pensei no começo ideal para uma carta e, a certo momento, me pareceu que nenhuma das minhas conjecturas era acertada. Organizei sentimentos brilhantemente num mural de palavras escolhidas a dedo e estava ali, naquele mosaico literário, a expressão coerente e sincera de como eu me sentia. Senti orgulho daquilo, e, sentindo orgulho também fiquei triste e congestionei os olhos sem saber por que. Naquele momento me abateu um constrangimento particular e infeccioso e quando dei por mim era tarde. Entendi que havia muito pouco de você naquelas linhas, não havia a sua naturalidade ou seus defeitos, aquelas imperfeições delicadas de você. Aquelas linhas eram sobre mim. Sobre minha brilhante capacidade de organizar e descrever sentimentos. Você? Você ficou na ferramenta de acesso àqueles sentimentos e desapareceu logo que eu terminei a primeira sentença. 
Quando reli aquele pequeno tesouro da língua que falamos, reli também a superficialidade do meu ego estampado no que eu pensei considerar como uma carta de amor pra você. Percebi-me em um prédio enorme de altos cômodos e janelas amplas... que não servia pra abrigar ninguém. Dessa conclusão ressenti-me de mim mesmo, do pequeno homem que há em mim e do grande homem que eu poderia ter sido. 
Mas nada disso importa, importa que percebi com certa apatia que quando você partiu, partiu de mim também alguma coisa do recheio luminoso e quente, alguma coisa da substância que havia em mim. Assim, fiquei entregue a violência dos arbustos selvagens que crescem bravos em um outrora bem cuidado jardim. Preso ao meu ego, escravo de mim. 
No que é defeito meu, não sei ser melhor, exceto pra alguém. 
Então rasguei minha primeira carta e escrevi no meu diário. Essa carta, pra mim mesmo.

domingo, 7 de novembro de 2010

Love notes, the suffer of the silent burden of love.





"And I never was smart with love
I let the bad ones in and the good ones go
But I'm gonna love you like I've never been hurt before
I'm gonna love you like I'm indestructible...
...This is hardcore
And I'm indestructible"
Robyn - Indestructible


Remember when I wrote this to you?


"Between us. I kinda like the fact that your skin reminds me cinnamon toffee. And I bet you smell like a hot iron bar in the mornings, and a sweet tequila shot in the evening - bitter, salty and firefliely.
 
"...Colour my life with the chaos of trouble
Cause anything's better than posh isolation."


Yours, already."

Do you remember the grey sueter and the way leafs were falling that day? 

Do you remember when you said "Really?" - after read this note? And then I said "Just in cases you were wondering why I keep seating in from of you every day." 
 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O registro dos dias sem você.



"... A tempestade que chega é da cor dos teus olhos, castanhos"
- Legião Urbana - Tempo Perdido

...Então você me beija como quem dança
E eu me perco na vertigem triste dos teus olhos
Me afogo devagar no silêncio que se instala e o tempo pára
E justo eu que falo muito, e sempre, e tanto...
Sou incapaz de dizer palavra que seja.


Então você parte e vai embora como quem pede desculpas
E o sol se põe no oeste e o mundo fica demasiado frio
Os minutos avançam, a distancia rouba você de mim e logo
O cuidado que te peço e desejo não tenho por mim;
Basta que você parta pra que eu me parta também


Então, enquanto suspiro meus ais dolorosos vai-se também seu cheiro
Sua presença... me leva contigo nos pedaços em que me quebro
Imploro, e me esparramo por onde você vai
Como as dobras amassadas da minha roupa,
Essas testemunhas silenciosas no meu corpo do seu corpo que foi. 


quarta-feira, 23 de junho de 2010

00:36


You know I dreamed about you
for twenty-nine years before I saw you
You know I dreamed about you
I missed you for
for twenty-nine years
- The Nacional - Slow Show

Estava tentando dormir, virei de um lado, virei pro outro... e nada.
Desacostumei a dormir sozinho. Parece que falta um pedaço de mim na cama. Como aquelas pessoas que tem um certo membro amputado e dizem sentir a dito membro mesmo sabendo que ele não esta lá.
Me falta esse pedaço de mim, ali entre um lençol e um edredon, entre um abraço, uma conchinha e um beijo de boa noite no pescoço. Ou mesmo um pouco de calor nessas noites frias de Junho.
Sinto falta de acordar com alguém pela manhã pra me enroscar e brincar com aquela ereção boba que me aparece nessa hora; a alegria de dois corpos recém dormidos, sonolentos e macios.
Penso nessas coisas e não da pra evitar... pensar em você. Se fosse eu que tivesse que decidir, se a escolha fosse minha, era com você que eu ia acordar amanhã cedo. Meu primeiro sorriso do dia seria seu presente. Eu ia passar a mão no seu cabelo, apertar seu quadril com um pouco de força, te cobrir devagar com meu corpo e dizer olhando nos seus olhos; "Gosto muito de você."
Imagino também as canções pra nos dois e o cheiro dos nossos lençóis. O seu corpo lindo embaixo do chuveiro e em como eu tenho vontade de beijar você o tempo todo.
Penso que eu não saiba mais o que fazer com tanta vontade de te querer mais perto, mais pra dentro de mim... mais em cima, mais do meu lado... mais comigo.
Mas entre nós há a realidade. Que é saber onde você está, mas não saber de onde você esta tirando sua alegria ou o que você esta fazendo pra se fazer feliz. A realidade é a idéia que me assalta de imaginar você
nos braços de alguém, uma outra boca na sua boca que não é a minha, uma intimidade sua com alguém numa cama de mágoas, frustrações, decepções e loucura.
A realidade sou eu acordado essa hora pensando em você e não sabendo o que fazer a respeito desse gostar de você. Eu que queria levar você embora pra longe e te fazer feliz, te ver sorrir e te dar dias de sol todos os dias.
Te dar os dias quentes e claros, e tranqüilos e leves que meus sonhos guardaram pra nós dois.
A realidade são meus sonhos, minha tristeza. Suas decisões, seus sonhos... e essa falta que eu sinto de você - por que eu só posso falar por mim.
Será que a gente pode viver de sonhar, até a gente acordar e ver que tudo passou? Que na verdade o passado foi um sonho ruim e que quando eu acordar você vai estar na cama comigo e eu vou te cobrir devagar com meu corpo e
dizer olhando nos seus olhos; "Gosto muito de você"? Será?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Como a noite que cai.



"What if I fall and hurt myself
Would you know how to fix me
What if I went and lost myself
Would you know where to find me
If I forgot who I am
Would you please remind me
Oh! cuz' without you things go hazy."
Rosi Golan - Hazy 

Meu querido,

A solidão me venceu. Sinto-me como um sacerdote que vendeu os ídolos do seu próprio templo a invasores estrangeiros, que por sua vez enxergam apenas a beleza destes mesmos ídolos, vêem seu ouro e suas pedras, a púrpura fina e delicada que os veste... Mas nada entendem de seus significados. Estou envergonhado e me sinto mais sozinho do que nunca. Sinto como se toda a beleza que você deixou em mim fosse agora, ao mesmo tempo, um fardo e um prêmio. Ela me lembra a maneira como você irradia e, tocando o mundo ao seu redor, faz dele um lugar melhor... fez de mim alguém melhor, e me sinto baixo e indigno dessa visão. Indigno de carregar você comigo por que jurei que seria sempre você e só você. Eu ainda tinha as provas e as razões, mas o vazio e a ausência me derrotaram. Entreguei-me a sensação e me sinto vulgar.
Pensei que eu conseguiria reagir melhor ao tempo, e poderia suportar sua distância com memórias, que meu coração brotaria perpétua e espontaneamente alimento para o abandono onde me encontro... Eu estava errado. Imaginei ter uma força que não tinha e vivi a ilusão desta mesma força... bastou alguém, que sequer me significa alguma coisa, tocar meu rosto como tantas vezes você mesmo tocou e eu rui em sobre mim mesmo... Me perdi na sensação de estar próximo de alguém e o desejo de não me sentir mais só, de não me perceber sozinho e esquecido por você gritou alto e não consegui reagir. Tive medo e o medo, como a solidão, me venceu também.
Desde o dia em que você partiu foram-se algumas estações e minha solidão fez aniversário algumas vezes. Coloquei nossas flores na janela muitas vezes, limpei nossos quartos e mantive nossa casa em ordem, mas você nunca voltou. Esperei os dias passarem, dormi sozinho tantas noites e de aguardar você voltar por tanto tempo, passou-se tanto tempo que me pergunto o que tudo isso significa hoje em dia.
O que tudo isso significa hoje em dia? Eu sentado na porta desse templo que construí pra nós dois. Perdi você e nossas relíquias. Me esqueci onde guardei nossos objetos sagrados e aos poucos me esqueço também do nosso evangelho... e ainda assim não consigo sair daqui, não consigo deixar esses muros. Lentamente vejo estas paredes que um dia foram um altar se tornarem meu túmulo.

Volta pra mim?

quinta-feira, 25 de março de 2010

A Lack of Color




"(...)The rhythm of my footsteps crossing flood lands to your door have been silenced forever more.
The distance is quite simply much too far for me to row
It seems farther than ever before
Oh no!"
Death Cab for Cutie - Transatlanticism

"Às vezes me pego imaginando um lugar no futuro. É, sempre, como se fosse um pedaço de um sonho. Ele acontece na realização de todas as coisas que eu deixei pra trás ou nas ocasiões onde quem foi deixado fui eu... São em sua maioria desdobramentos, revisões, correções e anseios. São também criações, angustias resolvidas, desejos antigos e detalhes pelos quais eu passei e não me dei conta de que eram o seu tempo, que eventualmente não seria mais e que passaram.

Penso nesses dois, sentados sob as raízes de uma árvore e olhando as estrelas e isso resume alguma coisa da forma como me sinto. Imagino um lugar de tranqüilidade e segurança onde eu posso me deixar abandonado num gramado pela tarde toda numa tarde de verão e saber que ali perto alguém (com um espírito muito mais ativo que o meu) me espera levantar, sem pressa. Penso também nos desencontros do cotidiano e na ansiedadezinha gostosa que bate quando se esta voltando pra casa pra encontrar alguém depois e um dia cheio. E nas imagens do nosso casamento, do dia em que eu coloquei uma aliança no seu dedo e disse pro Mundo todo (o que nos já sabíamos) que eu seria seu pra sempre.

É estranho sonhar com um futuro no qual eu não vou estar. Mas o que posso fazer se orbito ao seu redor? Distante, frio e de costas. Uma face escura que te contempla com movimentos escondidos...

Quisera eu poder me esquecer e esquecer você também. E então te conhecer novamente e errar tudo diferente da próxima vez. Erros maiores talvez, porém do tipo que se pode perdoar. Erros do tipo que se pode esquecer e deixar pra trás. Erros ainda que me impedissem de sonhar, me deixando acordado, preocupado que fosse... mas ainda com você. "